É tipo assim, minha paixão pelo teatro vem da parte circense, dos dois juntos. Mas 80% da parte da dor ficou para o circo, estou falando das coisas mais lindas e bem feitas, daquela mistura deliciosa e linda de uma grandeza inexplicável, vivi muito tempo metida dentro desse universo, encantada por ele...
Depois disso hesitei muito para olhar para qualquer coisa que tivesse ligação com o circo, um palhaço era responsável por meu sofrimento por meses. Fiquei dois anos depois de dez intensos anos, afastada de toda arte possível, posso dizer que foram anos difíceis, de readaptação com o mundo, quando voltei a me meter com as artes, fui para um lado do teatro, diferente, era teatro, mas tinha outro segmento... O tempo passou, e sempre que eu ia algo que me lembrasse do circo, eu sofria profundamente. E isso acontece até os dias de hoje, eu gostaria de poder ver um espetáculo circense, só com a magia, a alegria, a paixão de tempos atrás. Mas não sou capaz de romper essa barreira que foi construída em um momento da minha vida, ela é dura demais.
Sou apaixonada, disso não tenho dúvidas, mas não só no picadeiro, como no palco, as artes circenses me fazem entrar em um pedaço de mim, que não sei até onde quero explorar, na verdade, acho que não quero nem chegar perto da porta desse lugar. É ferida que não cicatriza pra vida inteira, não só uma. Inúmeras. Por isso tranquei certas portas, e evito ter as chaves em minha mão.
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